22 de abril de 2012




Esse foi o MOA, a maior vergonha a céu aberto da história do Metal na Sexta. No Sábado e Domingo não participei dessa balburdia, minha vergonha e da Ana tem limites. Mas horas atrás o evento havia sido cancelado.  Graças ao Deuses do Metal.



Era Sexta-Feira (20 de Abril), 10h30min da manhã quando Ana e eu chegamos ao que iria se transformar no maior mico que o Metal já teve em toda sua história: Metal Open Air ou Vergonha Open Air.

O estrago começou logo na fila. Passamos duas horas para entrar, e meu amigo, São luís é quase na linha do equador, dá para imaginar o quanto estava abrasador o sol? E foi também na fila que começou as conversas paralelas sobre o evento. O pessoal já falava de cancelamento de banda, foi na fila também que sabemos do cancelamento do Saxon e Venom. E tinha pessoas que vieram de longe, encontrei e conversei com gente do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília, Manaus, Fortaleza, Salvador, Uruguai, Colômbia para justamente ver Saxon e Venom.

Um cara de São Luís havia comentado que a Lamparina era furada, sempre foi. Que havia feito outros eventos e sempre dava merda. Em 2006 tinham feito o Sepulfest e que esse  produtor havia roubado toda a grana da galera que havia comprado os ingressos. Foram eles que fizeram o show do Blind Guardian que fomos ano passado e também a coisa lá não foi o que haviam prometido.

A indignação na fila era enorme. Todo mundo de preto no sol de meio dia em São Luís do Maranhão não é uma coisa muito interessante, principalmente para o pessoal que veio do Sul e Sudeste, tava 'pelando couro' como dizem por aqui. Depois dessa confusão entramos e o pesadelo apenas havia começado.


A organização do evento haviam feito um mapa onde ficava localizado o camping, mas lá, no Parque Independência, esse 'Camping' era para o pessoal que pagou para levar sua barraca, nada mais era que currais de cavalos, sem energia, sem banheiro e sem água. No mapa também, a organização do evento havia dito que teria uma praça de alimentação: NEGATIVO. Havia apenas um restaurante para seis mil pessoas comerem, sendo que esse restaurante foi montado um dia antes, eu até tentei entrar na fila, mas como sempre, a sorte não é minha amiga e a comida acabou antes da gente chegar ao caixa para comprar. Não havia água também. E isso era quase duas horas da tarde e havia pelo menos, três mil pessoas sedentas de fome e sede, o local do evento é longe da cidade.

Sobre o local do evento, é um lugar bacana, enorme, caberiam fácil 30 mil pessoas ali, mas era três horas da tarde do dia 20 de abril, e a organização ainda estava montando palco, capinando e montando stands. Fazia três horas que deveria ter acontecido o primeiro show do dia.

Depois de horas com fome, conseguimos comprar sanduiches light que não deve custar R$ 2,00, mas que lá estava sendo vendido por R$ 5,00. E o mais legal de tudo: copo de água mineral, aquele que compramos por R$ 0,50 estava valendo, pasmem:  R$ 5,00 (CINCO REAIS). Ninguém morreu de fome ou sede, mas quase... O tempo passava, a fome apertava e a galera gritava, reclamava e já estava com a paciência em ponto de ebulição. TODO MUNDO NO EVENTO, passou fome e sede, mesmo com todo o dinheiro do mundo, NÂO TINHA ONDE COMPRAR COMIDA E ÁGUA.

A primeira banda entrou era quase 04h30min da tarde, eu acho... E cada uma entrou devastando tudo, caralho! Exciter pegou o público sonolento, mas em dez minutos o povo estava em loucura desvairada, depois veio Orphaned Land (50% da empolgação para ir ao evento era para ver essa banda), 90% da galera que estava lá não sabia nem que a banda era de Israel, no começo foi meio um choque para público que chamou o Kobi (Vocalista) de Jesus Cristo, do meio para o fim do show o público aceitou de coração a banda e eles fizeram uma coisa muito legal, pegaram todas as bandeiras que foram jogadas e colocaram no palco organizadas, fora que eles arrasam ao vivo, é um show diferente, fiquei mais fã deles depois de vê-los ao vivo. E o Kobi ainda brincou com o público e falou que não era Jesus! Foi muito legal a energia da apresentação. Daí veio o Almah, incrivelmente poderoso, incrível mesmo, pois o ‘polêmico’ Edu Falasch é meio hipócrita, não confio mais no que ele diz depois do MOA, mas o Almah tocou muito e a banda apresentou o novo guitarrista, depois veio o Shaman, era evidente que a banda teve mais privilégios que a outra, pois o telão rolava imagens e vídeos feitos para serem mostrados na apresentação deles, não gostei do show, tocaram bem e o Thiago Bianch está gordo e quis imitar o André Matos na cara de pau mesmo! Esse é outro hipócrita que perdeu meu voto de confiança. 

Quando Destructon entrou os portais do inferno abriram. O público fez o chão tremer, mais 9 mil pessoas se digladiavam numa roda de satanás, um dos melhores shows do evento. Quando Exodus entrou, pensei que o público estava cansado, mas me enganei:  Uma hora de show, uma hora de roda de loucos ensandecidos e eles mostraram uma track list arrasadora. Até os mais cansados se empolgaram com o som da banda. Finalmente entrou o Symphony X, caralho... perfeito tudo (O outros 50% de motivação para ir ao evento era ver essa banda). A banda é tudo que esperei e decobri porque o Michel Romeo é tão perfeito, ele tem mãos pequenas, por isso que faz aquelas notas tão rápidas. Russel Allen é carismático e fez o público gritar e se emocionar. Fora que ele canta ao vivo como um DEUS, o cara é showman! Tocaram poucas músicas, sendo que a maioria foi do álbum novo, queria ouvir muito “Smoke and Mirrors” mas não rolou, uma pena, mas tirando isso, foi um show memorável para os fãs de metal progressivo.

Era unânime a indignação de todas as pessoas. A logística do evento foi toda errada, faltava tudo, faltava tudo mesmo, galera. Quem comprou para área VIP deve estar mais muito puto que nós, pois no espaço destinado para eles era bem longe dos palcos. Foi um evento caro, R$ 250 por dia, ou seja, pagamos R$  R600 reais, pois os desgraçados da Ticket Brasil, que vende o ingresso online, cobrava mais R$ 100,00 por uma taxa de conveniência... Ladrões desgraçados. Senti vergonha, muita vergonha dos organizadores:  Natanael Jr dono da Lamparina Produções (Guardem bem esse nome) e Felipe Negri dono da Negri Concerts que usaram São Luís, uma das capitais mais legais do nordeste como testa de ferro do maior mico de todos os tempos do Metal, o mais foda é que o Negri, queria fugir, galera, fugir como um covarde e deixar toda a merda para o desgraçado do Natanel Jr. Os dois acusam um ao outro, eu sei que ninguém quer levar a culpa, mas não somos  idiotas para saber que a culpa é dos DOIS pelo amadorismo total, desrespeito sem precedentes pelo Metal, pelos fãs e suas bandas.

Muitas bandas já desceram a lenha sobre o evento, todas também são unânimes: a organização do evento foi amadora demais. Eles não sabiam no que estavam se metendo de verdade, se pensaram em lucrar, que tinham feito uma logística maior, mais tempo para a realização e não apenas cinco meses, acho que foi rápido demais pelo porte do evento.

Sinto vergonha das bandas que tocaram, você sabia que eles não estavam confortáveis com o evento,  mesmo assim: ELES TOCARAM COM CORAçÃO, PELO SEUS FÃS, principalmente o Megadeth, a banda que a galera havia dito que era gringa demais para tocar no Nordeste brasileiro. Quem pagou pau e chupou rola como disse o profético Edu, foi ele mesmo e o Thiago Bianch.

O MOA entraria para a história do Brasil, abriria portas para os grandes eventos que só vemos pela internet, mas entrou para a história como o pior evento de todos. O Metal estava caindo e depois dessa, irá cair mais rápido do que eu havia imaginado. O METAL NACIONAL já não ia durar tanto tempo, acredito que hoje está nas portas do inferno para morrer de vez, enquanto essas pessoas que dizem que lutam pelo movimento estiverem à frente.

O saldo positivo foi pequeno, mas existiu: Valeu a pena conhecer outras pessoas do Brasil, é incrível como todos estavam no mesmo pensamento: Que o nosso país precisa mesmo de evento desses para animar o movimento. Uma pena isso não ter acontecido, senti pena de quem veio longe e que pagou horrores para estar ali, o engraçado que ninguém culpava o nordeste, pois tem gente que anda dizendo isso, não foi culpa do nordeste, poderia ter sido feito em São Paulo que daria a mesma merda. A culpa foi da organização que será processada pelo Ministério Público e Procon. Acompanhem o site do whiplash para se atualizar sobre o evento, também está pipocando vídeos no youtube de fãs tristes, roubados e enganados.


Quem perdeu foi todo mundo que gosta do estilo, se você não foi, não me venha dizer que sabia que isso iria acontecer, fomos até avisados, mas sempre temos fé que iria dar certo. Não deu. Perdemos muita coisa e não será esquecido como uma micareta qualquer, pois quem foi enganado foram pessoas que amam o estilo, o movimento e acima de tudo respeitam suas bandas preferidas.




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10 comentários:

Ana Karoline disse...

Minha esperança é de que a justiça seja feita e que a imagem do Nordeste não seja afetada por esse triste acontecimento. Headbangers unidos jamais serão vencidos!! \0/

Pedro disse...

Gostei muito da matéria,Pikachu.
Eu achav que ia ser um evento prestigiado,tendo até Charlie Sheen pra fazer a propaganda,e Megadeth pra tocar.


Ah,no segundo parágrafo tem um erro,tá escrito Minas Gerias.

timEU disse...

cara, depois que comecei a ler matérias sobre a polêmica do MOA fiquei imaginando se eu tivesse ido... não sei se ficaria feliz por ter visto Symphony X, Orphaned Land, Almah, Destruction, Megadeth... ou extremamente desapontado por ter esperado muito de um evento que viria para ajudar a cena metal no Brasil e que na verdade acabou por piorar tendo em vista que os patrocinadores e bandas, agora, mais que nunca verão o Brasil como um país inóspito para grandes shows.
Lamentável... mas como sempre é ter esperança e acreditar que metal nunca morrerá...
Long Live Rock'n'Roll! \m/

MÅ®løn MÅt˵§ - [√.ΐ.Þ]™ disse...

Eu estou indignado com isso....pqp

Danilo disse...

eu tava mto pilhado pra ir cara, mas moro no rio e ficaria mto caro pra eu ir, sem condições msm, e realmente isso q vc falou de os fãs sentirem q o metal no brasil ta morrendo é uma verdade triste, hj em dia só ve gente ouvindo bandinhas e achando q é o metaleiro, ou o entendedor. O MOA pra seria um evento q abriria as portas pra outros eventos grandes de metal, ate mais perto do rio, seria bom ter eventos grandes de metal, um em cada região do brasil, mas né fzer oq, negocio é ver no q isso vai resultar daki pra frente.
Parabens pela materia cara, bom ler isso de alguem q esteve lá.

Bruno Monteiro disse...

Cara, lamentavel o que aconteceu, aqui no centro-oeste, pra ser mais exato, o Distrito Federal, ocorre todo ano o Marrecos Fest. O Marrecos Fest é um excelente festival de bandas locais, onde é possivel ver as bandas postadas aqui: Dynahead, Dark Avenger, entre outras. O ano passado teve Rage, e no ano retrassado o Tim Ripper Owens, e esse ano terá Samael. Pode parecer pouco, mas mostra que é um festival totalmente sério e dedicado.

O site essa semana está em atualização, mas em breve será liberado para mais informações: http://www.marrecosfest.com.br/

Video de divulgação:
http://www.youtube.com/watch?v=eZ-JWlfOPyI


Abraço galera!

Tiago disse...

Pra muito foi um sonho que se transformou em pesadelo! O mais engraçado é que as produtoras ficam jogando a culpa uma pra cima da outra, o mais ridículo foi o Felipe Negri falar que foi sequestrado, ser sequestrado bem na hora que o circo tava pegando fogo ? Seria mais digno de um homem dizer que estava fugindo e ponto final. Edu Falaschi e Thiago Bianchi acho que a partir de deveriam ficar quietos e não falarem mais sobre o metal nacional, pois a cada declaração dada eles estão se queimando cada vez mais, meu conselho pra ele seria apenas observar e sem se pronunciar.

powerofsteel disse...

Fiquei indignado e decepcionado com descaso dos produtores desse festival com o público. Eu estava com muita vontade de ir mas acabei não podendo por motivo financeiro. Vi uma materia na TV o alojamento do camping em um estabulo sem condição alguma, vergonha!

Precisamos de produtores novos e honesto que acreditam no cenário heavy metal brasileiro. Minha pergunta é: Cade os produtores brasileiros?! São sempre os mais do mesmos nesse mercado?!

Lukas Heilings disse...

Eu não fui, mas estava mto empolgado com o resultado para poder ir em outra edição, é uma pena, estou mto decepcionado, queria mto ir ver o Blind Guardian, essa organização é uma Vergonha,

Zan disse...

infelizmente como o metal não tá na midia, não teremos repercução nenhuma para que esses produtores possam pagar pelo que fizeram, ouvi dizer que muitas pessoas foram assaltadas dentro do "camping" e não tiveram dinheiro para voltar para a casa tiveram que contar com ajuda humanitaria, realmente uma vergonha, ainda bem que temos esse blog para ficarmos sabendo das coisas.